Uma história sobre continuar vivendo — mesmo depois de tudo
Célia Regina Leck Campagnaro.
Minha história é marcada pela dor… mas também pela luta e pela sobrevivência.
Em 1979, perdi meu irmão para o suicídio. Naquela época, não sabíamos o que ele tinha. Ele sofria todas as semanas com dores abdominais e vômitos, perdeu o emprego, entrou em depressão… e não resistiu.
Hoje sabemos: ele provavelmente também tinha angioedema. Mas, naquela época, ninguém conhecia essa doença.
Anos antes, em 1976, logo após o meu casamento, começaram as minhas crises.
Foram anos de sofrimento, idas e vindas ao hospital, internações em UTI, medo… e nenhuma resposta.
Enquanto isso, a doença continuava levando pessoas da minha família.
Perdi um irmão aos 33 anos.
Perdi um sobrinho, também aos 33, em uma crise na garganta.
Perdi dois primos.
E o medo passou a morar dentro de nós.
Tenho quatro filhos. Dois têm angioedema.
Um deles começou a ter crises após a perda do primo.
"O medo passou a morar dentro de nós."
O outro carrega a doença em silêncio — sem sintomas, mas com o mesmo risco.
Foram muitos anos de luta até encontrar ajuda.
Em 2011, iniciei tratamento no Hospital de Clínicas, em Curitiba.
E, em 2014, algo mudou a minha vida: eu e meu filho conseguimos acesso à medicação.
Hoje, aos 67 anos, vivo com mais tranquilidade.
Carrego comigo o medicamento de resgate — ele me dá segurança para seguir.
Meu filho ainda tem crises. Mas agora ele tem chance. Ele se trata. Ele melhora.
Agradeço a Deus todos os dias.
Porque sei que muitos ainda não têm esse acesso.
Também deixo minha gratidão ao médico que nos acompanha e à Raquel, da Abranghe, que luta incansavelmente pelos pacientes.
Minha história é feita de perdas.
Mas também é feita de força.
E, acima de tudo, é uma história sobre continuar vivendo — mesmo depois de tudo.
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