Um inimigo invisível: como aprendi a conviver com o angioedema
Luciane.
Minha Jornada com o Angioedema Hereditário
Até os meus 11 anos, eu era um garoto comum que quase nunca ficava doente. No máximo, uma virose boba aqui e ali. Mas tudo mudou completamente em uma madrugada que ficou marcada na minha memória. Acordei com uma dor insuportável na barriga e comecei a vomitar sem parar. De início, minha mãe achou que era só mais uma virose. Ela me medicou, mas o tempo passava e nada fazia efeito. Vendo o meu estado, ela me levou correndo para o hospital.
Aquela viagem foi horrível. Eu fui o caminho inteiro agarrado a um balde, vomitando e sentindo muita dor. Na sala de espera, a cena se repetiu: eu ali, completamente fraco, sem forças e sem largar aquele balde, esperando atendimento. Quando finalmente o médico me examinou, a primeira suspeita dele foi uma infecção alimentar, por causa da intensidade da dor abdominal. Mas a minha mãe sentiu que era algo mais sério. Uma ponta de preocupação acendeu na mente dela: e se fosse, infelizmente, a mesma doença genética que ela e o meu avó tinham?
"O pior do angioedema é que ele é um inimigo invisível; a gente nunca sabe quando o próximo ataque vai acontecer."
Depois que aquela crise terrível passou, fiz os exames de sangue. O resultado confirmou o que a minha mãe temia: eu tinha Angioedema Hereditário. A partir dali, outras crises vieram, sempre com aquele mesmo combo cruel de inchaço e dor abdominal intensa.
Com o diagnóstico, veio também o medo. Eu morria de medo de passar mal no colégio, no meio de todo mundo. O desespero batia forte se eu olhasse na mochila e não visse um remédio ali. O pior do angioedema é que ele é um inimigo invisível; a gente nunca sabe quando o próximo ataque vai acontecer. Por causa dessa incerteza, passei mais de um ano vivendo em estado de alerta diário. Era uma ansiedade constante, uma apreensão terrível. A crise física em si é horrível, mas o impacto psicológico de saber que você pode ser atingido de surpresa a qualquer momento é devastador.
Hoje, com o tempo, aprendi a administrar melhor tudo isso. A maturidade me ajudou a lidar com o medo. Mesmo sabendo que ele faz pouquíssimo efeito no caso de uma crise real de angioedema, eu ainda carrego o meu Vonal na carteira. Ele virou uma espécie de amuleto, um símbolo de segurança que me ajuda a seguir em frente e a lembrar que, apesar de tudo, eu estou no controle da minha vida.
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