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Uma cirurgia desnecessária que revelou a verdade

Maria, 25 anos · Belo Horizonte · 1 min de leitura
Maria

Maria.

Ainda muito pequena, fui picada por um marimbondo no quintal de casa. A reação do meu corpo chamou atenção: um inchaço grave na mão. Anos depois, com apenas 9 aninhos de idade, fui submetida a uma cirurgia de apendicite desnecessária, o que mais tarde descobrimos: uma crise de Angioedema Hereditário. Aos 13 anos comecei a fazer uso de uma medicação; nessa idade as crises são fortes e constantes, já que os hormônios estão à flor da pele.

Aos 16 anos, no meio do estresse do vestibular, uma surpresa: já não se encontrava mais a medicação. Mesmo fazendo o uso de uma segunda opção de remédio, nada controlava minhas crises, não conseguia ir à escola e consequentemente não consegui passar de ano: um grande trauma, me senti incapaz e insuficiente. A partir daí, caí em uma depressão profunda, parei de estudar no terceiro ano do ensino médio.

"Minha maior vontade é que os próximos estudantes com Angioedema Hereditário tenham sua condição reconhecida e validada, que entendam a gravidade das nossas crises e não duvidem da nossa dor."

O remédio voltou à circulação e a vida foi encaminhando novamente. Atualmente, já com quase 25 anos, a medicação parou de ser comercializada novamente. A consequência? Quase não consigo terminar o semestre da faculdade de tantas crises que tive! Após lutar muito para que a minha faculdade entendesse a minha condição, consegui algumas adaptações e consegui concluir o semestre! Tenho o privilégio de uma instituição que decidiu me ouvir!

Hoje, minha maior vontade é que os próximos estudantes com Angioedema Hereditário tenham sua condição reconhecida e validada, que entendam a gravidade das nossas crises e não duvidem da nossa dor!

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